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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Organização Estrutural

Chegamos ao último dos itens antes considerados, outros não tão mensuráveis existiram certamente, como integrantes do processo de construção de um modelo de jogo. Depois de definido o que pretende da equipa, conhecida a conjuntura do clube e da equipa técnica, decifradas as condições de treino e sabendo quais as características dos jogadores, é tarefa do treinador encontrar uma disposição em campo que, no seu entender, permita à equipa obter o máximo rendimento num jogo de futebol.

Chamamos a esta fase organização estrutural ou sistema táctico.

É normal, mesmo entre treinadores (acredito que por uma questão de comodidade e habito para com a maioria), "resumir" o modelo de jogo a esta fase. Quando ouvimos um treinador a dizer que alterou o "modelo de jogo" na maioria das vezes quer dizer apenas que alterou o sistema táctico.
O sistema táctico é, antes de mais, uma expedita para o treinador comunicar ao jogador a posição onde pretende que este desenvolva a sua acção, a partir da qual vai detalhando a informação fornecida ao jogador sobre a forma como pretende que ele evolua em campo.
que cada sistema táctico tem características próprias, sendo a mais óbvia a forma como teoricamente são preenchidos os espaços em campo. No entanto discordo da opinião generalizada de que este ou aquele sistema táctico é mais ou menos defensivo, tudo dependerá da forma como a dinâmica da equipa.

Cada sistema táctico terá vantagens e desvantagens, desde a ocupação de determinado espaço até ao grau de complexidade e exigência no entendimento entre os jogadores.

Todas as tácticas são boas, tudo depende da forma como são dinamizadas e daquilo que se pretende obter.

Estruturas - Sistemas tácticos mais comuns

4-4-2
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4-3-3
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4-4-2 losango
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4-5-1
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4-1-4-1
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4-2-3-1
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4-1-3-2
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3-5-2
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5-3-2
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3-4-3
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Usualmente as equipas têm um sistema táctico definido e jogam seguindo esse padrão. No entanto é também comum existir um "plano B" (ás vezes mais que isso) para determinadas situações. No fundo isso não será mais que o modelo de jogo do treinador para uma situação específica.


Finalmente o treinador construiu  um modelo de jogo para a sua equipa... um modelo de jogo adaptado (MJA).

Chegado ao fim do processo de construção do modelo de jogo ainda muito há a fazer... treinar!!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Modelo de Jogo

O mais importante numa equipa de futebol é ter um modelo de jogo, um conjunto de princípios que dêem organização à equipa. Por isso a minha atenção é para aí dirigida desde o primeiro dia – José Mourinho 2006
Afinal o que é o “Modelo de Jogo”?
Ao contrário do que é usualmente designado pela comunicação social “modelo de jogo” não é a disposição dos jogadores em campo, continuemos com Mourinho
Gosto que a minha equipa seja uma equipa com posse de bola, que a faça circular, que tenha muito bom jogo posicional e que os jogadores saibam claramente como se posicionarem. Aliado a isso, defender bem e ter qualidade individual (o que marca determinados momentos do jogo) também são factores cruciais. Um bom posicionamento defensivo enquanto equipa, formando um bloco compacto que possa jogar com linhas muito juntas é outra das características das minhas equipas – Jose Mourinho 2002
Independente da disposição dos jogadores (sistema táctico), que nem sequer é referida nos excertos, percebemos como José Mourinho encara o jogo. Posse de bola, bom jogo posicional, bloco compacto com linhas juntas e de preferência com jogadores de boa qualidade individual.
A partir desta concepção pessoal do jogo, diferente de indivíduo para indivíduo, de treinador para treinador, que condiciona a forma como cada um de nós encara e vê um jogo, formular-se-á uma ideia pessoal de como jogaria a “nossa” equipa. O "Modelo de Jogo" será um conjunto de principios e sub-principios que traduziram uma determinada dinâmica à equipa e à forma como esta de portará em campo.
E aqueles treinadores que estão sempre a mudar?
Não existem treinadores desses…
Não acreditam? Ora vejamos, ninguém muda a forma com vê o mundo de um dia para o outro, mudamos de casa, carro, roupa e até de visual. O que não mudamos nunca é aquilo que somos. Com um treinador de futebol acontece exactamente o mesmo, muda-se de clube, de equipa, de jogadores, a disposição desses jogadores, às vezes até o estilo de jogo.
Isso não é mudar de modelo de jogo? Não, tal como na vida adaptamo-nos e evoluímos. No entanto qualquer pessoa atenta ao fenómeno futebolístico reconhecerá características comuns nas diversas equipas por onde um treinador vá exercendo a sua profissão.
Cada treinador, do mais inexperiente até ao que mais títulos venceu, tem a sua ideia de jogo e vai colocar em todas as suas equipas algo de pessoal (e intransmissível).
Esta é a primeira tarefa de um treinador (de futebol ou de outro qualquer desporto), definir aquilo que para si é a “perfeição”. Este pequeno mas importantíssimo passo é muitas vezes ignorado ou subavaliado.
Diremos então que “Modelo de jogo” é algo abstracto, idealizado na mente do treinador, que traduz a sua visão muito particular daquilo que deve ser o jogo. Mais que o sistema táctico engloba a organização dinâmica da equipa, a forma como se deverá comportar, as relações entre elementos da equipa e os adversários perante cada situação no jogo.
Tudo muito bonito mas… “definir aquilo que para si é a ‘perfeição?”?
Obviamente. Se não existir uma ideia do ideal nunca se vai poder extrair o melhor da realidade. Como disse atrás um treinador adapta-se e evoluí, no fundo usa os recurso que tem e tenta molda-los, e moldar-se, para no final obter uma clarificação do que será o “modelo de jogo adaptado (MJA)” para a equipa em concreto.
Imaginemos um inicio de época num novo clube onde o treinador terá de conciliar, entre outros aspectos:
- Jogadores disponíveis e suas características
- Condições de trabalho
- Realidade social e cultural do clube
- Expectativas de direcção e adeptos
A partir desse momento  desencadear-se-á um processo de adaptação mutua entre treinador e realidade.
Partindo do seu Modelo de Jogo, o processo será:





Modelo de Jogo do treinador
+
Principios e sub-principios
+
Organização funcional (como funcionará a dinâmica da equipa)
+
Conjuntura social e estrutural do clube
+
Caracteristicas dos Jogadores
+
Organização estrutural da equipa (sistema de jogo)
=
Modelo de Jogo Adaptado ou Adoptado (MJA)


Será o Modelo de Jogo Adaptado a base sobre a qual o treinador desenvolverá todo o seu trabalho, desde a concepção dos treinos até à eventual escolha de jogadores a contratar/dispensar, culminando, obviamente, no desenrolar do jogo que será avaliado pelos adeptos e resultados.

Como o processo é interminável, a cada nova situação o treinador reiniciará o ciclo, partindo do seu modelo de jogo, entretanto enriquecido pela própria experiência e por influências externas, e adaptará a sua equipa para o novo desafio.



O objectivo deste blog será desenvolver o futebol sob esta prespectiva, até breve