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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Special One, Il Speciale... El especial?

Há muito tempo que penso actualizar o blog mas por este ou aquele motivo não tem sido possível.


Quem se dedica ao treino de futebol em Portugal, ou no resto do mundo, tem hoje uma referência básica, José Mourinho.
Goste-se ou não da sua personalidade, dos seus mind games ou até da sua forma de jogar o certo é que todo e qualquer treinador deseja aquilo que para José Mourinho se tornou um hábito, ganhar.
Sabendo, como todos, que é impossível ganhar sempre, Mourinho consegue ser o que mais ganha e chegou ao topo em menos tempo que uma imensa maioria dos treinadores profissionais precisa para "estar preparado" para um desafio semelhante, lembramos que venceu a Champions League em 2004, apenas 4 anos depois de se assumir como treinador principal de uma equipa, tendo no ano anterior vencido a taça Uefa, que já não era coisa pouca. Após 10 curtos anos de carreira, Mourinho já faz parte da história do futebol Europeu... e assume que se quer tornar uma lenda.

O que faz de Mourinho tão Especial?

Treinar a sério!

"(...) havia a questão da agressividade no treino, que era inexistente. Algumas 'individualidades' simplesmente não queriam que houvesse o mínimo de agressividade nos treinos. Resultavam daí que treinavam sem caneleiras, logo sem contacto e sem situações competitivas. Os treinos no Benfica eram, no mínimo, caricatos. Diariamente, um grupo de bons rapazes dava uns toques na bola, fazia umas corridas e era tudo"
(sobre o "treino que encontrou na sua passagem pelo Benfica)

Treinar com um objectivo bem definido, treinar com método.

"O mais importante é sempre a nossa equipa e não o adversário"

"A minha preocupação quando vou para um clube é encontrar, mais que um sistema táctico, um modelo e uma filosofia de jogo. Tem a ver com um futebol fundamentalmente ofensivo onde o passe e a qualidade são fundamentais"

"A melhor equipa não é a que tem melhores jogadores, mas aquela que joga como equipa. Jogar como equipa é ter organização, ter determinadas regularidades que fazem com que, nos quatro momentos do jogo, todos os jogadores pensem em função da mesma coisa ao mesmo tempo."

"O mais importante numa equipa é ter um modelo de jogo, um conjunto de princípios que dêem organização à equipa. Por isso, a minha atenção é para aí dirigida, desde o primeiro dia. As semanas preparatórias incidem, de forma sistemática, na organização táctica sempre com o objectivo de estruturar e elevar o desempenho colectivo. As preocupações técnicas físicas e psicológicas (como a concentração, por exemplo) surgem por arrastamento e como consequência da especificidade do nosso modelo de operacionalização."

"Ao trabalharmos a vertente táctica em condições próximas das que desejamos para a competição, isto é, próximas daquilo que pretendemos para o nosso jogo, estamos a desenvolver a vertente física na especificidade que ela realmente tem. Por exemplo, em vez de desenvolvermos a "força" de uma forma isolada ou descontextualizada, fazemo-la antes através de exercícios com determinadas características, jogando com o espaço, o tempo, o numero de jogadores e as regras que lhe colocamos. Desta forma estamos sem duvida a desenvolver algo aparentado com "força", mas num contexto muito mais especifico. Um exercício táctico-técnico em que existam ao mesmo tempo muitos saltos, muitas quedas, muitas travagens e muitas mudanças de direcção. é muito mais importante do que um outro onde se trabalha a "força" de forma isolada ou descontextualizada. Agora o difícil de tudo isto é conseguir operacionalizar o que queremos, é conseguir criar exercícios onde se consigam englobar todas as vertentes, sem nunca nos esquecermos da nossa primeira preocupação. potenciar um determinado principio de jogo."


- Escolher uma equipa de acordo com a sua filosofia, e trabalha-la.

"Tudo o que precisamos é de um grupo forte de jogadores e não de uma estrela de Hollywood. Mas que diabo são os galácticos? A imagem deles vem da sua vida social e a fama como jogadores acaba por ser um acréscimo. Desconfio desse tipo de galácticos. A minha dúvida não diz respeito às suas qualidades como futebolistas, mas ao facto de o ambiente que os rodeia poder vir a influenciar as suas exibições. Prefiro jogadores como o Drogba ou o Paulo Ferreira. Tenho um carro caro, mas não faço colecção. Não sou o tipo de pessoa que gosta de ter dez carros"

"Se tens em casa um Bentley e um Aston Martin e se andas todo o dia e todos os dias com o Bentley e deixas o Aston Martin na garagem és um bocado entupido"

- Auto confiança no seu trabalho

"Não me chamem arrogante, sou o campeão da Europa e penso que sou especial" (Junho 2004)

"Disse que era especial porque tinha acabado de ser campeão e cheguei aqui com o ego no topo. Agora? Está ainda maior!" (Abril 2005)

"Se quisesse um trabalho fácil teria ficado no FC Porto - Uma fantástica cadeira azul, troféu da Champions League, Deus, e a seguir a Deus, eu."


- Gestão de TODOS os aspectos quem envolvem o jogo (internos e externos)

"Penso que necessitam que eu diga qualquer coisa que os faça parar com estas perguntas estranhas. Querem que eu diga "nós vamos ser campeões?" Bem, nós vamos ser campeões. Agora já têm algo para escrever. Não interessa o resultado contra o Blackburn ou Manchester United, nós vamos ser campeões" (conferencia de imprensa após o Chelsea ter empatado as duas últimas partidas e os jornalistas começaram a questionar sobre a perda de autoconfiança na equipa)

"Quando vou para a conferência de imprensa antes do jogo, na minha cabeça o jogo já começou."

"E quando vou para a conferência de imprensa após o jogo, o jogo ainda não terminou"



Resultados?

- Títulos - 17 em 10 anos de carreira

FC Porto

* Campeonato Português (2): 2002-03, 2003-04
* Taça de Portugal (1): 2002-03
* Supertaça portuguesa (1): 2003-2004
* Taça UEFA (1): 2002-2003
* Liga dos Campeões (1): 2003-2004

Chelsea FC

* Campeonato inglês/Premier League (2): 2004-2005, 2005-2006
* Taça de Inglaterra (1): 2006-2007
* Supercopa da Inglaterra (1): 2005
* Taça da Liga Inglesa (2): 2004-2005, 2006-2007

FC Internazionale MIlano

* Campeonato Italiano (2): 2008-09, 2009-10
* Copa da Itália (1): 2009-10
* Supercopa da Itália (1): 2008
* Liga dos Campeões (1): 2009-10

A receita básica
"E ser feliz no que faço, levantar de manhã e ir a sorrir treinar, estar a 10 minutos do início do jogo e sentir a emoção de jogar. “O craque? O craque é a equipa!”"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Modelo de Jogo

O mais importante numa equipa de futebol é ter um modelo de jogo, um conjunto de princípios que dêem organização à equipa. Por isso a minha atenção é para aí dirigida desde o primeiro dia – José Mourinho 2006
Afinal o que é o “Modelo de Jogo”?
Ao contrário do que é usualmente designado pela comunicação social “modelo de jogo” não é a disposição dos jogadores em campo, continuemos com Mourinho
Gosto que a minha equipa seja uma equipa com posse de bola, que a faça circular, que tenha muito bom jogo posicional e que os jogadores saibam claramente como se posicionarem. Aliado a isso, defender bem e ter qualidade individual (o que marca determinados momentos do jogo) também são factores cruciais. Um bom posicionamento defensivo enquanto equipa, formando um bloco compacto que possa jogar com linhas muito juntas é outra das características das minhas equipas – Jose Mourinho 2002
Independente da disposição dos jogadores (sistema táctico), que nem sequer é referida nos excertos, percebemos como José Mourinho encara o jogo. Posse de bola, bom jogo posicional, bloco compacto com linhas juntas e de preferência com jogadores de boa qualidade individual.
A partir desta concepção pessoal do jogo, diferente de indivíduo para indivíduo, de treinador para treinador, que condiciona a forma como cada um de nós encara e vê um jogo, formular-se-á uma ideia pessoal de como jogaria a “nossa” equipa. O "Modelo de Jogo" será um conjunto de principios e sub-principios que traduziram uma determinada dinâmica à equipa e à forma como esta de portará em campo.
E aqueles treinadores que estão sempre a mudar?
Não existem treinadores desses…
Não acreditam? Ora vejamos, ninguém muda a forma com vê o mundo de um dia para o outro, mudamos de casa, carro, roupa e até de visual. O que não mudamos nunca é aquilo que somos. Com um treinador de futebol acontece exactamente o mesmo, muda-se de clube, de equipa, de jogadores, a disposição desses jogadores, às vezes até o estilo de jogo.
Isso não é mudar de modelo de jogo? Não, tal como na vida adaptamo-nos e evoluímos. No entanto qualquer pessoa atenta ao fenómeno futebolístico reconhecerá características comuns nas diversas equipas por onde um treinador vá exercendo a sua profissão.
Cada treinador, do mais inexperiente até ao que mais títulos venceu, tem a sua ideia de jogo e vai colocar em todas as suas equipas algo de pessoal (e intransmissível).
Esta é a primeira tarefa de um treinador (de futebol ou de outro qualquer desporto), definir aquilo que para si é a “perfeição”. Este pequeno mas importantíssimo passo é muitas vezes ignorado ou subavaliado.
Diremos então que “Modelo de jogo” é algo abstracto, idealizado na mente do treinador, que traduz a sua visão muito particular daquilo que deve ser o jogo. Mais que o sistema táctico engloba a organização dinâmica da equipa, a forma como se deverá comportar, as relações entre elementos da equipa e os adversários perante cada situação no jogo.
Tudo muito bonito mas… “definir aquilo que para si é a ‘perfeição?”?
Obviamente. Se não existir uma ideia do ideal nunca se vai poder extrair o melhor da realidade. Como disse atrás um treinador adapta-se e evoluí, no fundo usa os recurso que tem e tenta molda-los, e moldar-se, para no final obter uma clarificação do que será o “modelo de jogo adaptado (MJA)” para a equipa em concreto.
Imaginemos um inicio de época num novo clube onde o treinador terá de conciliar, entre outros aspectos:
- Jogadores disponíveis e suas características
- Condições de trabalho
- Realidade social e cultural do clube
- Expectativas de direcção e adeptos
A partir desse momento  desencadear-se-á um processo de adaptação mutua entre treinador e realidade.
Partindo do seu Modelo de Jogo, o processo será:





Modelo de Jogo do treinador
+
Principios e sub-principios
+
Organização funcional (como funcionará a dinâmica da equipa)
+
Conjuntura social e estrutural do clube
+
Caracteristicas dos Jogadores
+
Organização estrutural da equipa (sistema de jogo)
=
Modelo de Jogo Adaptado ou Adoptado (MJA)


Será o Modelo de Jogo Adaptado a base sobre a qual o treinador desenvolverá todo o seu trabalho, desde a concepção dos treinos até à eventual escolha de jogadores a contratar/dispensar, culminando, obviamente, no desenrolar do jogo que será avaliado pelos adeptos e resultados.

Como o processo é interminável, a cada nova situação o treinador reiniciará o ciclo, partindo do seu modelo de jogo, entretanto enriquecido pela própria experiência e por influências externas, e adaptará a sua equipa para o novo desafio.



O objectivo deste blog será desenvolver o futebol sob esta prespectiva, até breve